De Harvard à USP, uma lição

22 set

Por Carlos Magno Gibrail

Os principais meios de comunicação do país noticiam os rankings das melhores universidades do mundo, onde chama à atenção a distante posição da nossa melhor universidade.

Embora 8ª Economia do mundo, o Brasil aparece na lista norte americana da “Times Higher Education”, cujos critérios principais consideram as verbas para pesquisa e inovação, com a 232ª posição da USP e a 248ª da Unicamp. No ranking da empresa inglesa “QS World University Rankings” que leva em conta a opinião da academia e o mercado, a USP aparece como a 253ª e a Unicamp como a 292ª, enquanto que na lista do “Instituto de Educação Superior de Xangai”, cujo principal indicador é a produção científica, a USP está entre o 100º e o 150º lugar, e a Unicamp entre o 200º e o 300º.

Harvard é o destaque, e só não aparece em primeiro na avaliação inglesa, onde ocupa o segundo lugar.

Mesmo levando em conta possíveis desvios de critérios, corporativismos, nacionalismos ou demais juízos de valor, há uma similaridade nestes rankings que endossa as avaliações.

Qual a razão da distância entre a economia e a educação nacional?

Sob o aspecto numérico é considerável a diferença de idade de Harvard (1636) e da USP (1934), são 298 anos. Também é significativo o 3,1% investido em educação nos Estados Unidos sobre um PIB de 14 trilhões de dólares contra menos de 1% num PIB de 2 trilhões de dólares no Brasil .

Não bastasse isso, temos ainda as considerações de ordem sócio-econômica e cultural, como bem lembra o Prof. Nelson Barrizzelli (FEA USP), atribuindo à elite brasileira uma propensão extrativista não construtivista. Sempre foi mais fácil extrair do que construir quer do solo, da natureza ou dos seres humanos.

De outro lado a excelência do produto universitário passa também pela qualidade da matéria prima, que são os alunos, e longe está daquela condição aprovada por Peter Drucker quando atendeu ao pedido de Harvard para lecionar seu primeiro curso de mestrado. Aceitou somente após receber a lista com a qualificação dos alunos e verificar que poderia aprender com eles.

Mas, como que para demonstrar a excelência, ainda que não no topo, mas com disposição de chegar lá, a USP reagiu e ontem, extensa matéria na Folha apresenta mudanças que priorizarão a qualidade e atualidade do ensino objetivando melhoria de qualidade e atualidade dos cursos.

A restrição à expansão no primeiro momento será inevitável, pois como bem colocou o jornalista Hélio Schwartsman:
“Gostemos ou não, incorporar mais estudantes significa aceitar alunos com pior desempenho, o que resulta em queda de qualidade. O problema é menos a USP e mais a educação básica, incapaz de preparar para o mercado global universitário”.

É a freada que certamente preparará a acelerada futura.

Caros Magno Gibrail é doutor em marketing de moda

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Uma resposta to “De Harvard à USP, uma lição”

  1. carlos magno gibrail setembro 22, 2010 às 11:15 pm #

    Quem tiver maior interesse no assunto pode ler o editorial de hoje , quarta feira 22 de setembro, na FOLHA DE SÃO PAULO, à página A2, sob o título REFORMA NA USP.

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